Demissão na pandemia: o que eu aprendi sobre crenças limitantes, coragem, carreira e empreendedorismo

Um dos textos escritos por brasileiros mais lidos do LinkedIn, segundo ranking publicado pela Exame há alguns anos, é o da apresentadora Ana Maria Braga, que tem o seguinte título: Tomar um pé na bunda foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida

Nesse texto, Ana Maria fala sobre o dia em que “tomou um pé na bunda” de uma empresa, na qual ela ocupava um cargo executivo, com um excelente salário. Ela conta que, de um dia para o outro, tudo mudou. Ela havia sido demitida.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, o Brasil registrou uma das maiores taxas de desemprego da história no final de abril: 16,9%, por causa dos impactos da pandemia. Se você pesquisar no LinkedIn o volume de perfis que trazem a informação “em busca de recolocação” ou “aberto a (novas) oportunidades/desafios”, vai se deparar com números que parecem somar mais de 100 mil.

A história que a Ana Maria conta não se passa nesse período de pandemia, mas, assim como ela, eu também passei por uma demissão, só que no início deste ano. Passado o primeiro momento do choque do “pé na bunda”, rs, eu resgatei em mim a coragem, a esperança e a certeza de que “pra tudo tem jeito”, e, hoje, quero compartilhar com você o que aprendi.

Se a minha história “conversar” com a sua, se o que eu aprendi te ajudar de alguma forma, minha alegria vai ser imensa.

“Pra tudo tem um jeito”: o momento em que eu consegui “virar a chave”

Como eu acho que vale muito a pena você ler o texto da Ana (rs) – um texto breve, simples e cheio de significado -, eu vou parar de contar o texto dela por aqui e vou pegar apenas mais uma frase para continuar o meu: “pra tudo tem um jeito”.

Eu gosto dessa frase, porque ela faz a gente olhar pra frente, para as inúmeras saídas que a vida pode dar, principalmente nesse cenário de pandemia, em que está difícil de olhar positivamente para o hoje e para o futuro. Mas eu vivi pra comprovar pra mim mesma que vale a pena acreditar!

O meu momento “pé na bunda empresarial (rs)” veio depois de muitos anos de trabalho numa mesma empresa e de uma trajetória da qual eu me orgulhava, de muito aprendizado, desafios e conquistas, apesar de haver muitos momentos difíceis também.

A empresa cumpriu direitinho com suas obrigações no meu acerto. Me apresentou um benefício de plano de saúde estendido por 6 meses, uma ajuda de custo para pagar um curso de requalificação, e tals. Mas o momento da minha demissão foi parecido com o que eu vejo em muitos relatos publicados no LinkedIn: abrupto, sem muita clareza dos motivos, árido, difícil pra mim, pra quem me dava a notícia, para o meu time, pra minha família.

Acho que quem já passou por isso vai concordar comigo que, nesse momento, o mundo cai. Pelo menos caiu pra mim. Na hora, eu só conseguia pensar: “Meu Deus, fui demitida na pandemia. E agora?”, “Será que vou conseguir um outro emprego?”, “Será que vai ser rápido?”, “Será que vai demorar?”, “Será que vou conseguir bancar as despesas?”. E por aí vai. Aquela base da famosa pirâmide de Maslow, a das necessidades básicas, da subsistência, GRITOU! (rs).

Mas aí, passado esse primeiro medo da sobrevivência, com o acolhimento de amigos e da família, eu fiz uma promessa pra mim mesma: “eu vou fazer desse limão a famosa limonada, ou uma caipirinha bem top (rs), e vou mergulhar de cabeça nessa incerteza que é a vida”.

Eu cheguei a essa conclusão depois de assistir a alguns vídeos de um youtuber, o Carlos Cassau, sobre co-criação, sincronicidade, sobre a abundância que é a vida e sobre a nossa dificuldade de acreditar que “tudo de ruim (aparentemente) é pra melhorar”. Sabe aquelas coisas que você já sabe, mas que ainda não entendeu realmente? Já me falaram uma vez que a Bíblia diz que você só entende algo quando “entende com o coração”. E eu acho que foi isso que aconteceu. Dessa vez, eu entendi com o coração.

Somei os conselhos do Cassau, aos feedbacks positivos de amigos, minha equipe e ex-colegas de trabalho, aos conselhos da minha mãe, da minha irmã, do meu cunhado, aos conselhos da Giti Bond (uma thetahealer que também tem um canal no Youtube), aos conselhos da minha terapeuta, à minha experiência de vida e, principalmente, à minha intuição, e decidi que, ao invés de ficar apavorada, com medo da vida, eu viveria esse momento de forma intensa. Decidi que eu iria me abrir para aprender tudo o que essa nova fase iria me ensinar. Decidi que iria acreditar no melhor e aproveitar esse momento para me ouvir, me conhecer, ter ideias. O que é valor pra mim? Quais são as minhas prioridades? Quais são os meus talentos? Que tipos de problemas da sociedade e das empresas eu sou capaz de ajudar a resolver? O que eu sempre quis fazer, mas acabei adiando? Por que não correr atrás daqueles sonhos?

Assim fiz! Nesse meu momento “diagnóstico” (rs), percebi em mim uma série de crenças limitantes sobre mim mesma, sobre mercado de trabalho e carreira. Ao mesmo tempo, vi surgir na minha mente um turbilhão de ideias muito empreendedoras e muita coragem para enfrentar o novo! Era o início de uma jornada muito desafiadora e, ao mesmo tempo, valiosíssima! Foi aí que eu “virei a chave”.

Ressignificando crenças limitantes!

Destravar todo o nosso potencial, buscar nossas paixões e sonhos, aprender, contribuir, ajudar… Eu penso que este seja um dos motivos de a gente estar aqui, na Terra. Porém, para viver segundo essa missão, é preciso lutar. E parece que a nossa luta vai ser maior ou menor, dependendo do nosso momento de vida e da situação em que vivemos. Viver realmente não é fácil.

Embora a nossa luta possa ser maior ou menor com as circunstâncias, muito daquilo que nos limita está na nossa mente, na nossa forma de pensar e de interpretar o que acontece na nossa vida. E, nesse episódio da minha demissão em plena pandemia, eu percebi uma série de crenças – de pensamentos arraigados na minha mente – que, na minha visão, eram limitantes, ou seja, ao invés de me ajudarem a destravar o meu potencial, de me ajudarem a correr atrás dos meus sonhos e tals, poderiam estar me atrapalhando:

“Com essa demissão em plena pandemia, não vou conseguir achar trabalho”

“Ser demitido é a pior forma de sair de uma empresa”

“Uma pessoa é demitida porque não é competente o suficiente”

“Quem é demitido não é valorizado no mercado”

“Uma pessoa que ficou tantos anos numa mesma empresa vai ser vista como ultrapassada”

Será que algumas dessas crenças já passaram ou passariam pela sua cabeça diante de uma demissão? Sabe o que a realidade me mostrou? Que tudo isso aí realmente não passa de crença (rs). Nada disso é regra cravada em pedra e que uma demissão não é o fim do mundo. Graças a Deus! (rs) Uma demissão é só mais um ciclo se fechando na vida para outro ciclo se abrir.

Algumas dessas crenças listadas aí acima podem até ter sido reais na vida de profissionais que passaram por uma demissão, mas a verdade é que nem todo mundo, nem todo recrutador, gestor ou RH pensa ou age da mesma forma. Além disso, nenhuma situação é a mesma. Tudo muda o tempo todo. Eu sei que é difícil levantar e sacudir a poeira em algumas situações menos saudáveis, mas vale a pena tocar pra frente, porque na próxima “esquina” pode sempre haver uma grande oportunidade, pode sempre haver alguém liderando transformações nesse mundo e fazendo diferente!

Nas primeiras semanas após esse episódio da demissão, eu recebi muitas ligações e mensagens de ex-colegas de trabalho e de amigos. E eu ouvi e percebi muita coisa. Vi colegas que não acreditavam que estavam preparados para novos desafios (mesmo quando todo mundo tinha certeza absoluta que sim rs). Vi colegas que tinham mais de 10 anos de trabalho numa mesma empresa e que, de tanto foco e dedicação, nunca tinham participado de nenhum outro processo seletivo. Vi colegas com muito medo de serem demitidos também. Vi colegas completamente desmotivados com o trabalho. Vi colegas mega apegados a “cargo”. Inúmeras crenças que, na minha visão, só limitam.

Foi demitido? Quem disse que a opinião de apenas algumas pessoas pode definir o quão competente você é? Quantas outras pessoas que trabalharam com você já reconheceram o seu trabalho? E você mesmo? O quanto você reconhece o seu trabalho e confia no seu taco?

Tá há muitos anos numa mesma empresa? Quem disse que isso te coloca em condição inferior a quem já trabalhou em vários mercados? Você só vai ser ultrapassado se ficar parado, na zona de conforto, se não estudar, se não estiver ligado nas tendências e se não estiver tentado inovar onde você está!

Então, bora revisitar crenças! A vida está nos esperando para nos surpreender. É preciso liberar o que é velho para que o novo se manifeste.

No meu caso, nessa “toada de ressignificação de crenças que limitam”, eu abri também a minha cabeça para repensar meus conceitos sobre mercado de trabalho e carreira. Você tá ligado nas discussões sobre o futuro do trabalho? Tá por dentro das profissões que estão surgindo? Já viu o volume de vagas remotas, home office, divulgadas por empresas em outras cidades, estados e países?

Os futuristas já falam da chegada da Gig Economy, uma forma de trabalho “on demand”, com pessoas em empregos temporários, ou fazendo trabalho freelancer, ao invés de trabalharem para um empregador fixo, numa regra CLT. As empresas, por outro lado, vão cada vez mais “quebrar hierarquias”, diversificar seus times, montar equipes multidisciplinares e autogerenciáveis por projeto, recrutando pessoas qualificadas por todo o mundo. E tudo isso já está acontecendo. A diferença é que, na Gig Economy, a tendência é a de que esse trabalho “on demand” se torne o “padrão”. Será que estamos nos preparando para isso? Penso que, como profissionais atuantes nesse mercado em transição, a gente deveria estar mais preocupado em estar preparado para esse cenário do que preocupado em ser demitido, por exemplo.

E você já deve ter ouvido falar que o mundo é VUCA: volátil, incerto, complexo, ambíguo. Nesse mundo, aquela sensação de controle, de que as coisas são “permanentes”, é mera ilusão. De novo, tudo mudo o tempo todo. Então, se a incerteza é uma realidade, é melhor se jogar no presente, manter os olhos nas tendências e desapegar das estruturas empresariais e das soluções de hoje porque, com certeza, elas vão mudar!

O caminho, na minha visão, é a gente se desenvolver para gente, e não para uma empresa. É estarmos constantemente em evolução. É não parar de estudar, de se informar, de se desafiar! Pela ótica das empresas, elas sempre vão precisar de pessoas que as ajude a transformar o amanhã. Então, se você conseguir fazer com que sua carreira seja um produto em eterna construção, você e a empresa certa vão sempre se encontrar lá na frente, no momento certo.

Descobrindo uma veia empreendedora em plena pandemia e dando asas às ideias!

Fecho este texto com uma das minhas mais gratas surpresas em todo esse processo de autoconhecimento: descobrir em mim uma forte veia empreendedora e um mundo de ideias que eu nem imaginava que poderia ter! Isso foi SENSACIONAL! Tive ideias pra mim, para amigos, para familiares rs. Foi um momento de primavera, de florescimento, de vida a todo vapor rs.

Há muitas formas de empreender e há muitas pessoas na internet dispostas a ajudar, gratuitamente ou por um preço bem accessível, qualquer pessoa que esteja buscando uma saída, principalmente na pandemia. Vi conteúdos produzidos pela Natália Arcuri, do canal Me Poupe! no Youtube, vi uma série de pessoas ensinando marketing digital e técnicas de venda pelo Instagram etc. Para se ter ideias, é preciso abrir a cabeça, observar o mundo à nossa volta, ler, estudar coisas novas, ter CURIOSIDADE.

No meu caso, coloquei no papel todas as ideias que tive, priorizei aquelas que para mim pareciam estar mais alinhadas aos meus sonhos e paixões e fiz o meu próprio planejamento. Foi algo simples: transformei as ideias escolhidas em três projetos, defini meus objetivos e criei um plano de ação clássico: o que, como, quando, por que…

Desenhei alguns produtos com a ajuda de amigos e apresentei esses meus produtos e ideias a um pequeno “mercado”, bem inicial (os amigos dos amigos dos amigos rs). Aos poucos, o primeiro cliente chegou. Depois, o segundo. Depois, o terceiro. E, quando eu menos esperava, a oportunidade dos sonhos também chegou – exatamente do jeitinho que eu pedi a Deus.

Foi preciso muita coragem para focar nesses projetos e dizer não para tudo o que não estava alinhado aos meus objetivos (e ainda é preciso!). O medo, muitas vezes, bateu à porta, a incerteza incomodou, o choro veio. Mas foi aí que eu entendi finalmente o significado das palavras alinhamento e sincronicidade! Ao invés de dar lugar ao desespero, eu resolvi confiar, acreditar, ter coragem e MANTER O FOCO! Quando seu pensamento, suas palavras e ações se alinham na direção dos seus sonhos e paixões, o universo conspira e tudo flui de uma forma IMPRESSIONANTE!

Mas, para que isso aconteça, você PRECISA acreditar. E aí a gente volta lá no autoconhecimento, no momento de fazermos um “diagnóstico de nós mesmos” e na ressignificação de crenças que limitam.  Se houver algo que te impeça de acreditar, você precisa dedicar tempo para se ouvir, se conhecer, para reprogramar sua forma de pensar e ter atenção ao que você diz e a como você age.

Nós somos seres criativos por natureza. Sempre vamos achar saídas, se assim realmente quisermos, pois “pra tudo tem um jeito”.

Mas, às vezes, também, é preciso “descer ao inferno”, para, como a fênix, ressurgir das cinzas!

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