O que minha amiga negra me ensinou sobre o racismo?

19 de junho é, anualmente, o dia em que se celebra o Juneteenth (em inglês, a junção das palavras “junho” e “décimo nono”), data em que foi declarado o fim da escravidão nos Estados Unidos.

Em função dessa data, que, segundo matéria do G1, é tida como feriado oficial em 46 dos 50 estados norteamericanos (infelizmente ainda não é um feriado nacional), a Mastercard, pelo segundo ano consecutivo, declarou globalmente o dia 18 de junho como o Dia da Solidariedade e pediu a todos os seus funcionários, de todas as regiões do mundo, que se dedicassem, nesse dia, a algum trabalho voluntário ou simplesmente reservassem esse dia para estudar e aprender mais sobre diversidade, equidade e inclusão, refletindo sobre suas próprias ações e fazendo parte de uma corrente global do bem contra o racismo, a discriminação e o ódio, que, infelizmente, não têm fronteiras.

Com esse chamado da Mastercard, eu comecei a pensar como eu poderia fazer a minha parte nesse momento em que ainda sigo respeitando o isolamento, em função do momento crítico de pandemia que estamos vivendo aqui no Brasil, até que me veio uma ideia: e se eu contribuísse da forma que eu mais gosto: aprendendo e compartilhando conhecimento?

Resolvi, então, pedir a uma grande amiga, a Elizete, para me contar a sua história de vida e tudo o que ela já passou por ser negra, se assim ela se sentisse confortável. Ela topou e nós conversamos muito! Coincidentemente, 19 de junho é o dia do aniversário da “Zezete”. E essa oportunidade de contar a história dela virou um presentão para mim!

Amiga, amo você 🙂

Minha amiga lindona, Elizete 🙂

Conheci a Zezete na dança de salão há uns quatro anos e, desde o primeiro dia em que eu a conheci, a conexão foi imediata! A alegria, a leveza e o carinho dela me contagiaram e eu me senti duplamente feliz: primeiro por estar ali fazendo algo que amo e que pra mim é cura, que é dançar, e, segundo, porque eu senti que começaria ali uma linda e forte amizade. E de fato nossa amizade é assim.

A Zezete é mineira, mora na região metropolitana de Belo Horizonte, é de uma família de quatro filhas (ela e mais três irmãs) e dois irmãos, tem um filhão, o Everson, e agora tem um netinho lindo também, o Theo. Ela, a irmã “Liete”, o sobrinho Gabriel, a mãe e o pai moram juntos. A Zezete e os irmãos distribuem as responsabilidades, sendo que uma delas é cuidar da mãe com Alzheimer. Dona Eva é uma fofinha, com carinha de vovó amorosa, mas, em função da doença, vive dando sustos na família, querendo a todo momento ir para a rua (risos). O seu Édio também é desses avós que sorriem com os olhos. Zezete é filha, mãe, vovó e amiga exemplares! A Zezete faz parte da parcela da população negra, mulher e de origem pobre que trabalha na casa de famílias de pessoas brancas, com boas condições financeiras.

“Minha avó trabalhou em casa de família. Trabalhou muito e comprou o lote onde a gente construiu nossa casa hoje. Minha mãe também foi doméstica (começou a trabalhar em casa de família aos 8 anos de idade). Na minha cabeça, eu pensei: é, também vou ser doméstica. E, assim como minha mãe, eu comecei a trabalhar cedo, aos 8, 10 anos, eu já lavava vasilhas para os outros, olhava o filho dos outros. E, na hora das festinhas das filhas das patroas, as nossas mães colocavam a gente pra trabalhar lá no fundo (na organização das festas), enquanto as crianças da festa ficavam todas brincando lá na frente.

Infelizmente, nós, pretos temos que aprender a lidar com isso e a nos defender. Eu vivi o preconceito desde a infância. Era muito comum eu ouvir ofensas como: neguinha de asfalto; galinha preta. Eu chorava tanto. Hoje eu sei que a culpa não era das crianças. Eram os pais que não educavam seus filhos. E, na época, eu nem sabia me defender.

Hoje em dia preconceito é crime. Mas, antigamente, não era assim. Sempre havia uma separação entre pretos e brancos. Eu nunca participava de festinha e teatrinhos na escola, ou, quando eu participava, eu era a empregada ou aquela pessoa que ficava atrás da cortina fazendo as coisas para a peça acontecer. Dançar quadrilha? Ninguém queria dançar quadrilha comigo. E nunca me esqueço de um dia que meu irmão se fantasiou de super homem e a escola toda riu dele, dizendo que nunca tinham visto um super homem preto.

E, naquela época, com o passar do tempo, a gente ia arrumando formas de lidar com essa situação, ia tentando não dar ouvidos, por exemplo. Muitas vezes o caminho era abaixar a cabeça e fingir que não estávamos ouvindo até as pessoas se cansarem de nos agredir. Eu acabei sendo, durante muito tempo, submissa e não fazia nada. Hoje em dia eu penso: ‘gente, pelo amor de Deus, como que eu aguentei?’ Eu ficava com raiva, indignada, mas eu não sabia me defender. Meus pais não me ensinaram a me defender. Eu acabava ficando quieta, sozinha, chorando. As crianças e adolescentes de hoje já sabem mais se defender. Se alguém chamar o Gabriel de ‘negrinho do pastoreiro‘, por exemplo, ele vai ter uma resposta na ponta da língua.

Quando eu cresci, eu fui procurar emprego de doméstica e para olhar crianças, por exemplo, e eu perdi a conta das vezes que eu tive que engolir patrão me assediando, fazendo comentários nojentos de que “negra é boa de cama”. E eu me sentia muito incapaz. Eu sentia que não podia falar nada, porque, na minha cabeça, se eu falasse, ia ser pior. Eu ia ser mais agredida ainda e perderia meu emprego. Os momentos de festinha, eu detestava. Os patrões bebiam, ficavam tontos e vinham assediando a gente. Já tentaram passar a mão em mim, já tentaram me agarrar dentro de um elevador. Nesse caso do elevador, por exemplo, quando aquele velho veio pra cima de mim, eu comecei a empurar ele e, quando ele viu que eu não ia deixar ele me beijar, ele enfiou a mão no bolso, tirou um dinheiro, colocou dobrado na minha mão e falou assim: ‘toma aqui e não conta pra ninguém não’. E eu fiquei lá, parada, em estado de choque, com o dinheiro daquele velho nojento na mão.

Para criar o Everson direitiho, em boas escolas, com comida dentro de casa, eu trabalhei dia e noite. Eu só vinha pra casa no final de semana e, às vezes, só no sábado à tarde e já tinha que voltar no domingo à noite. Eu olhava os filhos dos outros para os outros olharem o meu filho. Praticamente, quem cuidou do Everson foi minha irmã Elizângela. Eu trabalhava dobrado para dar conforto para a nossa família. Eu sei que meu filho sentiu muita falta de mim. No tempo que eu tinha com o meu filho, eu tentei ensinar ele a se valorizar. Mas meu filho já sofreu muito com o preconceito também. Quando meu filho comprou a primeira moto, todos os dias ele chegava em casa e reclamava que era parado pela polícia. Quando ele andava de mulão (com muita gente), ele sempre era parado em uma batida policial. Ele já tomou até pancadas de cacetete. Eu sempre falei pra ele: ‘anda direitinho, meu filho. Anda com todos os seus documentos e evite situações que podem te fazer passar por isso’. E, sinceramente, Jaque, isso ainda é café pequeno. Tem pessoas negras que já sofreram muito mais.

Um dia eu percebi que eu estava repetindo a mesma história da minha avó e da minha mãe. Foi aí que eu tive a ideia de fazer um curso de técnico de enfermagem. Terminei o segundo grau (faltava um ano só para eu terminar), fiz as provas e passei! Com seis meses, eu terminei o segundo grau. Meu sonho era fazer instrumentação cirúrgica, mas eu não tinha como fazer esse curso. Era muito caro e eu ainda não tinha muito tempo.

Com o curso técnico de enfermagem, eu não consegui trabalhar por muito tempo em hospital. A jornada de trabalho do hospital, que era um dia sim e um dia não, começou a atrapalhar os estudos da minha irmã Elizângela. Então, quando eu terminei o curso técnico, eu ainda precisei trabalhar como empregada doméstica e, além de cuidar de uma idosa, limpava e cozinhava. Teve vezes de eu cozinhar (almoço e jantar) para 12 pessoas. Eu me sentia uma escrava.

Uma oportunidade boa veio depois de um tempo e foi a melhor fase da minha vida financeira. Eu comecei a trabalhar como cuidadora de idosos particular. Eu ganhava algo em torno de 5 salários e eu nunca tinha ganhado tanto dinheiro na minha vida! Foi uma família que me conheceu e me tirou da rotina pesada que eu tinha na casa em que eu trabalhava antes. Hoje, eu sigo trabalhando com essa mesma família. Tem anos já.

E, mesmo trabahando há muitos anos com a mesma família, até hoje eu não me sinto parte. Eles até falam comigo: ‘vem pra cá, Elizete’, mas eu não me sinto bem. Prefiro ficar lá no meu quarto, quieta no meu cantinho. É uma forma também de eu me proteger, para não me machucar, porque sempre acontece de surgir algum comentário desagradável, principalmente de pessoas de gerações mais velhas. E eu percebo diferença nas gerações de hoje, nas crianças que eu vi crescer, por exemplo.

Eu vejo preconceitos na dança também. Muitas vezes, sinto como se eu estivesse vivendo cenas da minha infância de novo diante de pessoas que não me chamam para dançar, seja no forró, no samba, no zouk. Se você não meter as caras e ir lá chamar as pessoas para dançar, dificilmente elas irão te tirar para dançar. É por isso que eu me sinto tão em casa na Kizomba, onde o povo negro brilha e onde há muita diversidade!

Hoje em dia, eu participo de vários grupos que lutam contra o racismo e uso minhas redes sociais para educar as pessoas a nos respeitarem. Me aproximo das pessoas pelo que elas são, não pela cor da pele ou pela orientação sexual, etc. Tenho muitos amigos brancos, mas minha amiga, amiga mesmo branquinha é só você (risos)”.

Para fechar, eu perguntei: mesmo diante de tanta dor, eu te vejo falar com leveza sobre o preconceito que você já viveu. O que você fez com toda a indignação que sentiu?

“Ela está aqui até hoje. E tudo o que eu passei ainda dói. Naquela época, eu não sabia o que fazer. Mas, olha, a minha cor nunca foi uma ofensa pra mim. Então, quando alguém falava comigo: ‘sua preta, sua nega, sua criolinha’, eu pensava assim: ‘eu sou mesmo! Que novidade há nisso?’ É a forma que as pessoas falam que dói. Mas hoje eu me sinto mais forte: racismo hoje é crime, sinto que há muitas pessoas do meu lado e, com o celular na mão, qualquer pessoa pode gravar situações desagradáveis para se defender”.

Ao final dessa conversa, eu fiquei pensando sobre muitas coisas: sobre o quanto nós humanos somos perversos quando ignorantes, sobre o quanto a gente ainda precisa aprender nessa vida, sobre as feridas que a gente carrega pra sempre, sobre o quanto a gente pode e DEVE praticar a gentileza uns com os outros. Enfim, sobre muita coisa.

E me lembrei também de uma palestra que assisti no CX Summit de 2019, produzido pela Track.Co, que me marcou muito. Era uma palestra com o professor e estudioso sobre antropologia do consumo Fábio Borges Mariano, na qual ele apresentou um vídeo de uma mulher falando sobre a solidão de uma mulher negra e fazendo um apelo a todas as mulheres brancas: a acolherem as mulheres negras e aos filhos das mulheres negras, para acabar de uma vez por todas com uma divisão velada que em muitos ambientes e situações ainda persiste entre negros e brancos.

Eu chorei horrores com esse vídeo. A dor dessa mulher me doeu demais. Deixo aqui um link para você conferir esse vídeo, expandir ainda mais seu conhecimento e ser mais um agente de transformação neste mundo: https://mundonegro.inf.br/elasnaoquerembrincarcomigo/

E se você quiser conhecer mais sobre a Zezete, é só ir no insta: @negalizete

Demissão na pandemia: o que eu aprendi sobre crenças limitantes, coragem, carreira e empreendedorismo

Um dos textos escritos por brasileiros mais lidos do LinkedIn, segundo ranking publicado pela Exame há alguns anos, é o da apresentadora Ana Maria Braga, que tem o seguinte título: Tomar um pé na bunda foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida

Nesse texto, Ana Maria fala sobre o dia em que “tomou um pé na bunda” de uma empresa, na qual ela ocupava um cargo executivo, com um excelente salário. Ela conta que, de um dia para o outro, tudo mudou. Ela havia sido demitida.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, o Brasil registrou uma das maiores taxas de desemprego da história no final de abril: 16,9%, por causa dos impactos da pandemia. Se você pesquisar no LinkedIn o volume de perfis que trazem a informação “em busca de recolocação” ou “aberto a (novas) oportunidades/desafios”, vai se deparar com números que parecem somar mais de 100 mil.

A história que a Ana Maria conta não se passa nesse período de pandemia, mas, assim como ela, eu também passei por uma demissão, só que no início deste ano. Passado o primeiro momento do choque do “pé na bunda”, rs, eu resgatei em mim a coragem, a esperança e a certeza de que “pra tudo tem jeito”, e, hoje, quero compartilhar com você o que aprendi.

Se a minha história “conversar” com a sua, se o que eu aprendi te ajudar de alguma forma, minha alegria vai ser imensa.

“Pra tudo tem um jeito”: o momento em que eu consegui “virar a chave”

Como eu acho que vale muito a pena você ler o texto da Ana (rs) – um texto breve, simples e cheio de significado -, eu vou parar de contar o texto dela por aqui e vou pegar apenas mais uma frase para continuar o meu: “pra tudo tem um jeito”.

Eu gosto dessa frase, porque ela faz a gente olhar pra frente, para as inúmeras saídas que a vida pode dar, principalmente nesse cenário de pandemia, em que está difícil de olhar positivamente para o hoje e para o futuro. Mas eu vivi pra comprovar pra mim mesma que vale a pena acreditar!

O meu momento “pé na bunda empresarial (rs)” veio depois de muitos anos de trabalho numa mesma empresa e de uma trajetória da qual eu me orgulhava, de muito aprendizado, desafios e conquistas, apesar de haver muitos momentos difíceis também.

A empresa cumpriu direitinho com suas obrigações no meu acerto. Me apresentou um benefício de plano de saúde estendido por 6 meses, uma ajuda de custo para pagar um curso de requalificação, e tals. Mas o momento da minha demissão foi parecido com o que eu vejo em muitos relatos publicados no LinkedIn: abrupto, sem muita clareza dos motivos, árido, difícil pra mim, pra quem me dava a notícia, para o meu time, pra minha família.

Acho que quem já passou por isso vai concordar comigo que, nesse momento, o mundo cai. Pelo menos caiu pra mim. Na hora, eu só conseguia pensar: “Meu Deus, fui demitida na pandemia. E agora?”, “Será que vou conseguir um outro emprego?”, “Será que vai ser rápido?”, “Será que vai demorar?”, “Será que vou conseguir bancar as despesas?”. E por aí vai. Aquela base da famosa pirâmide de Maslow, a das necessidades básicas, da subsistência, GRITOU! (rs).

Mas aí, passado esse primeiro medo da sobrevivência, com o acolhimento de amigos e da família, eu fiz uma promessa pra mim mesma: “eu vou fazer desse limão a famosa limonada, ou uma caipirinha bem top (rs), e vou mergulhar de cabeça nessa incerteza que é a vida”.

Eu cheguei a essa conclusão depois de assistir a alguns vídeos de um youtuber, o Carlos Cassau, sobre co-criação, sincronicidade, sobre a abundância que é a vida e sobre a nossa dificuldade de acreditar que “tudo de ruim (aparentemente) é pra melhorar”. Sabe aquelas coisas que você já sabe, mas que ainda não entendeu realmente? Já me falaram uma vez que a Bíblia diz que você só entende algo quando “entende com o coração”. E eu acho que foi isso que aconteceu. Dessa vez, eu entendi com o coração.

Somei os conselhos do Cassau, aos feedbacks positivos de amigos, minha equipe e ex-colegas de trabalho, aos conselhos da minha mãe, da minha irmã, do meu cunhado, aos conselhos da Giti Bond (uma thetahealer que também tem um canal no Youtube), aos conselhos da minha terapeuta, à minha experiência de vida e, principalmente, à minha intuição, e decidi que, ao invés de ficar apavorada, com medo da vida, eu viveria esse momento de forma intensa. Decidi que eu iria me abrir para aprender tudo o que essa nova fase iria me ensinar. Decidi que iria acreditar no melhor e aproveitar esse momento para me ouvir, me conhecer, ter ideias. O que é valor pra mim? Quais são as minhas prioridades? Quais são os meus talentos? Que tipos de problemas da sociedade e das empresas eu sou capaz de ajudar a resolver? O que eu sempre quis fazer, mas acabei adiando? Por que não correr atrás daqueles sonhos?

Assim fiz! Nesse meu momento “diagnóstico” (rs), percebi em mim uma série de crenças limitantes sobre mim mesma, sobre mercado de trabalho e carreira. Ao mesmo tempo, vi surgir na minha mente um turbilhão de ideias muito empreendedoras e muita coragem para enfrentar o novo! Era o início de uma jornada muito desafiadora e, ao mesmo tempo, valiosíssima! Foi aí que eu “virei a chave”.

Ressignificando crenças limitantes!

Destravar todo o nosso potencial, buscar nossas paixões e sonhos, aprender, contribuir, ajudar… Eu penso que este seja um dos motivos de a gente estar aqui, na Terra. Porém, para viver segundo essa missão, é preciso lutar. E parece que a nossa luta vai ser maior ou menor, dependendo do nosso momento de vida e da situação em que vivemos. Viver realmente não é fácil.

Embora a nossa luta possa ser maior ou menor com as circunstâncias, muito daquilo que nos limita está na nossa mente, na nossa forma de pensar e de interpretar o que acontece na nossa vida. E, nesse episódio da minha demissão em plena pandemia, eu percebi uma série de crenças – de pensamentos arraigados na minha mente – que, na minha visão, eram limitantes, ou seja, ao invés de me ajudarem a destravar o meu potencial, de me ajudarem a correr atrás dos meus sonhos e tals, poderiam estar me atrapalhando:

“Com essa demissão em plena pandemia, não vou conseguir achar trabalho”

“Ser demitido é a pior forma de sair de uma empresa”

“Uma pessoa é demitida porque não é competente o suficiente”

“Quem é demitido não é valorizado no mercado”

“Uma pessoa que ficou tantos anos numa mesma empresa vai ser vista como ultrapassada”

Será que algumas dessas crenças já passaram ou passariam pela sua cabeça diante de uma demissão? Sabe o que a realidade me mostrou? Que tudo isso aí realmente não passa de crença (rs). Nada disso é regra cravada em pedra e que uma demissão não é o fim do mundo. Graças a Deus! (rs) Uma demissão é só mais um ciclo se fechando na vida para outro ciclo se abrir.

Algumas dessas crenças listadas aí acima podem até ter sido reais na vida de profissionais que passaram por uma demissão, mas a verdade é que nem todo mundo, nem todo recrutador, gestor ou RH pensa ou age da mesma forma. Além disso, nenhuma situação é a mesma. Tudo muda o tempo todo. Eu sei que é difícil levantar e sacudir a poeira em algumas situações menos saudáveis, mas vale a pena tocar pra frente, porque na próxima “esquina” pode sempre haver uma grande oportunidade, pode sempre haver alguém liderando transformações nesse mundo e fazendo diferente!

Nas primeiras semanas após esse episódio da demissão, eu recebi muitas ligações e mensagens de ex-colegas de trabalho e de amigos. E eu ouvi e percebi muita coisa. Vi colegas que não acreditavam que estavam preparados para novos desafios (mesmo quando todo mundo tinha certeza absoluta que sim rs). Vi colegas que tinham mais de 10 anos de trabalho numa mesma empresa e que, de tanto foco e dedicação, nunca tinham participado de nenhum outro processo seletivo. Vi colegas com muito medo de serem demitidos também. Vi colegas completamente desmotivados com o trabalho. Vi colegas mega apegados a “cargo”. Inúmeras crenças que, na minha visão, só limitam.

Foi demitido? Quem disse que a opinião de apenas algumas pessoas pode definir o quão competente você é? Quantas outras pessoas que trabalharam com você já reconheceram o seu trabalho? E você mesmo? O quanto você reconhece o seu trabalho e confia no seu taco?

Tá há muitos anos numa mesma empresa? Quem disse que isso te coloca em condição inferior a quem já trabalhou em vários mercados? Você só vai ser ultrapassado se ficar parado, na zona de conforto, se não estudar, se não estiver ligado nas tendências e se não estiver tentado inovar onde você está!

Então, bora revisitar crenças! A vida está nos esperando para nos surpreender. É preciso liberar o que é velho para que o novo se manifeste.

No meu caso, nessa “toada de ressignificação de crenças que limitam”, eu abri também a minha cabeça para repensar meus conceitos sobre mercado de trabalho e carreira. Você tá ligado nas discussões sobre o futuro do trabalho? Tá por dentro das profissões que estão surgindo? Já viu o volume de vagas remotas, home office, divulgadas por empresas em outras cidades, estados e países?

Os futuristas já falam da chegada da Gig Economy, uma forma de trabalho “on demand”, com pessoas em empregos temporários, ou fazendo trabalho freelancer, ao invés de trabalharem para um empregador fixo, numa regra CLT. As empresas, por outro lado, vão cada vez mais “quebrar hierarquias”, diversificar seus times, montar equipes multidisciplinares e autogerenciáveis por projeto, recrutando pessoas qualificadas por todo o mundo. E tudo isso já está acontecendo. A diferença é que, na Gig Economy, a tendência é a de que esse trabalho “on demand” se torne o “padrão”. Será que estamos nos preparando para isso? Penso que, como profissionais atuantes nesse mercado em transição, a gente deveria estar mais preocupado em estar preparado para esse cenário do que preocupado em ser demitido, por exemplo.

E você já deve ter ouvido falar que o mundo é VUCA: volátil, incerto, complexo, ambíguo. Nesse mundo, aquela sensação de controle, de que as coisas são “permanentes”, é mera ilusão. De novo, tudo mudo o tempo todo. Então, se a incerteza é uma realidade, é melhor se jogar no presente, manter os olhos nas tendências e desapegar das estruturas empresariais e das soluções de hoje porque, com certeza, elas vão mudar!

O caminho, na minha visão, é a gente se desenvolver para gente, e não para uma empresa. É estarmos constantemente em evolução. É não parar de estudar, de se informar, de se desafiar! Pela ótica das empresas, elas sempre vão precisar de pessoas que as ajude a transformar o amanhã. Então, se você conseguir fazer com que sua carreira seja um produto em eterna construção, você e a empresa certa vão sempre se encontrar lá na frente, no momento certo.

Descobrindo uma veia empreendedora em plena pandemia e dando asas às ideias!

Fecho este texto com uma das minhas mais gratas surpresas em todo esse processo de autoconhecimento: descobrir em mim uma forte veia empreendedora e um mundo de ideias que eu nem imaginava que poderia ter! Isso foi SENSACIONAL! Tive ideias pra mim, para amigos, para familiares rs. Foi um momento de primavera, de florescimento, de vida a todo vapor rs.

Há muitas formas de empreender e há muitas pessoas na internet dispostas a ajudar, gratuitamente ou por um preço bem accessível, qualquer pessoa que esteja buscando uma saída, principalmente na pandemia. Vi conteúdos produzidos pela Natália Arcuri, do canal Me Poupe! no Youtube, vi uma série de pessoas ensinando marketing digital e técnicas de venda pelo Instagram etc. Para se ter ideias, é preciso abrir a cabeça, observar o mundo à nossa volta, ler, estudar coisas novas, ter CURIOSIDADE.

No meu caso, coloquei no papel todas as ideias que tive, priorizei aquelas que para mim pareciam estar mais alinhadas aos meus sonhos e paixões e fiz o meu próprio planejamento. Foi algo simples: transformei as ideias escolhidas em três projetos, defini meus objetivos e criei um plano de ação clássico: o que, como, quando, por que…

Desenhei alguns produtos com a ajuda de amigos e apresentei esses meus produtos e ideias a um pequeno “mercado”, bem inicial (os amigos dos amigos dos amigos rs). Aos poucos, o primeiro cliente chegou. Depois, o segundo. Depois, o terceiro. E, quando eu menos esperava, a oportunidade dos sonhos também chegou – exatamente do jeitinho que eu pedi a Deus.

Foi preciso muita coragem para focar nesses projetos e dizer não para tudo o que não estava alinhado aos meus objetivos (e ainda é preciso!). O medo, muitas vezes, bateu à porta, a incerteza incomodou, o choro veio. Mas foi aí que eu entendi finalmente o significado das palavras alinhamento e sincronicidade! Ao invés de dar lugar ao desespero, eu resolvi confiar, acreditar, ter coragem e MANTER O FOCO! Quando seu pensamento, suas palavras e ações se alinham na direção dos seus sonhos e paixões, o universo conspira e tudo flui de uma forma IMPRESSIONANTE!

Mas, para que isso aconteça, você PRECISA acreditar. E aí a gente volta lá no autoconhecimento, no momento de fazermos um “diagnóstico de nós mesmos” e na ressignificação de crenças que limitam.  Se houver algo que te impeça de acreditar, você precisa dedicar tempo para se ouvir, se conhecer, para reprogramar sua forma de pensar e ter atenção ao que você diz e a como você age.

Nós somos seres criativos por natureza. Sempre vamos achar saídas, se assim realmente quisermos, pois “pra tudo tem um jeito”.

Mas, às vezes, também, é preciso “descer ao inferno”, para, como a fênix, ressurgir das cinzas!

O momento em que os líderes recarregam suas energias

Li recentemente o livro Desafios da Liderança, da coleção Leituras Essenciais da Harvard Business Review, de 2020, que reúne artigos de grandes nomes, como Daniel Goleman, Peter Drucker, Jim Collins.

E, logo no primeiro artigo, Daniel Goleman rasga o verbo ao dizer claramente que “todo profissional do mundo corporativo conhece algum caso de um funcionário extremamente qualificado e inteligente que foi alçado a uma posição de liderança e acabou fracassado. Há também histórias de pessoas com sólidas (porém não extraordinárias) capacidades intelectuais e habilidades técnicas que foram promovidas a uma posição de liderança e construíram uma carreira brilhante”

O autor segue seu argumento até chegar ao conceito que o tornou conhecido mundialmente, a inteligência emocional, explicando que, na verdade, embora, na prática, o estilo pessoal de líderes de excelência varie muito e que situações diferentes exijam tipos diferentes de liderança, em sua experiência, ele percebeu que os líderes mais eficazes têm uma característica em comum: todos têm um grau elevado de inteligência emocional.

Em um cenário pandêmico, essa característica tem sido muito, muito crucial para olharmos para nossos times e parceiros com muita empatia, sabendo dosar engajamento e motivação para as entregas e acolhimento naqueles dias em que as coisas não estão indo muito bem.

 Hoje, assistindo a uma live produzida pela Conquer sobre saúde mental, percebi que muitos comentários traziam um ponto muito importante: líderes também são humanos, também se esgotam, sofrem de ansiedade, medo, stress, Burnout. Como, então, reconhecer e reconectar com a inteligência emocional em nós mesmos nesse momento de pandemia, sem deixar a peteca cair na hora de cuidar do nosso time? Como não ser sequestrado diariamente pelo que acontece no país, no nosso dia a dia, e deixar de lado o autoconhecimento, o autocontrole, a motivação, a empatia?

Eu sei que é um desafio imenso. Mas, olha, além de tudo aquilo que a gente pode colocar em prática para restabelecer a nossa conexão com a gente mesmo (dança, terapia, yoga, meditação, o contato com a natureza, nossa família etc.), a fim de estarmos bem e preparados para manter conexões saudáveis com o outro, para, nós, líderes, há uma fonte muito especial de recarga imediata de energia e que às vezes pode passar despercebida: ver de perto as conquistas e sucesso de pessoas que são ou que já foram do nosso time!

Gente, que delícia ver pessoas conquistando sonhos! Que sensação inexplicável é essa de sentir o peito encher de orgulho quando você vê que aquele profissional que você acreditou tanto, com quem você já superou desafios, trabalhou durante tanto tempo e construiu tantas coisas legais, está se dando bem, está dando novos saltos!

Eu já tive o privilégio de receber essa recarga imediata de energia diversas vezes nessa vida. Já pude dar essa alegria para os grandes líderes que passaram pelo meu caminho. E já tive o privilégio também de ouvir um “muito obrigado por tudo”, “eu aprendi demais com você”, e até um “te amo” (😊), né, Renata Balmant?

E esse meu texto de hoje é uma forma de eu demonstrar o tamanho do meu orgulho e de dar os parabéns à Renata Balmant, que assumiu nesta semana a Coordenação de Comunicação e Marketing da Patrus Transportes, e à Suzana Didier, que assumiu um novo desafio, à frente do Marketing da MRV.

Essas mocinhas são pessoas maravilhosas, são profissionais extremamente comprometidas, parceiras, criativas, inteligentes, além de terem coração e energia do bem.

Que vocês curtam muito a alegria de trabalhar com e para as pessoas. Que os feedbacks e as conquistas dos times de vocês mantenham vocês sempre motivadas, energizadas. Que a passagem de vocês por mais esses desafios seja muito próspera e abundante e que vocês sejam para os seus times líderes inspiradoras, transparentes e íntegras.

Amo vocês 😊

Mensagem aos aniversariantes do mês: reflexões para mais este ano de vida

Então, dia 18 foi meu aniversário. Um dia depois de eu ter terminado meu período de quarentena (pois é, eu venci a Covid!). Um dia depois de eu ter ficado mais de 9 dias de repouso forçado, rs, porque, se for deixar por mim, eu abarroto a minha rotina de trabalho e estudo.

Meu corpo tinha adoecido. Eu precisava parar. E, mesmo resistente, eu parei. E, quando você para, você sente. Você se escuta. Tá certo que não precisava uma Covid para me fazer parar, mas, como minha terapeuta já me disse algumas (muitas) vezes rs, enquanto nossa sociedade continuar no piloto automático, ainda distante de atingir um nível mais elevado de consciência sobre a vida e sobre nós mesmos, as doenças seguirão fazendo o papel de trazer tudo à tona, para a consciência, de forma abrupta, mas que, ao mesmo tempo, te dá a oportunidade de se tratar, melhorar e, no caso dessa minha reflexão aqui, evoluir.

Então, às vésperas de mais um aniversário, eu refleti muito. E, como esse momento foi muito rico pra mim, quero compartilhar minhas principais reflexões com você.

Quem sabe esse meu momento de auto observação fala com o seu momento também! Muita prosperidade a você em mais este ciclo de vida!

A 1ª reflexão: equilíbrio!

Essa tava na cara rs. Mesmo depois de muitos anos de terapia rs, eu percebi que ainda tenho muita dificuldade de me respeitar. Respeitar meu cansaço, minha necessidade de sono, de lazer.

Sabe por quê? Porque eu aprendi que para a gente ter algo na vida e se sentir merecedor, a gente precisa de muito esforço e sacrifício. Eu vim de uma família de batalhadores, que, depois de alguns acontecimentos nos primeiros meses de casamento, tiveram que, praticamente do nada, sem moradia e dinheiro, lutar muito para conquistar emprego, casa própria e criar bem as filhas.

E eu me orgulho muito de ser de uma família de trabalhadores. Isso pra mim é um valor e minha experiência de vida já me mostrou várias vezes que, para você conquistar um bom estudo, um bom trabalho, realizar seus sonhos, você precisa batalhar mesmo. Então, “perder a mão”, para mim, é muito fácil rs. Não vou nem te falar meu signo rs.

E aí a falta do equilíbrio e do respeito comigo mesma foi o ponto da minha reflexão. Percebi em mim um sentimento de culpa por tirar um momento para descansar, por dormir as horas que eu preciso, por reservar uma hora para almoçar por dia, por passar o final da semana inteiro com minha família sem colocar a mão no notebook rs. E a falta de equilíbrio traz sofrimento. E é isso que não é legal. Quando o esforço começa a trazer sofrimento, ele para de ser saudável, mesmo quando você ama o que faz! E, aí, um caminho que deveria ser de satisfação por objetivos conquistados se transforma em um caminho de mais cobrança, de angústia, de obrigação.

Então, aqui já nasceu o meu primeiro pacto comigo mesma para este novo ciclo: mais equilíbrio em 2021!

E eu desejo o mesmo a você!

A 2ª reflexão: o que é o mais importante?

Se alguém te perguntasse agora qual é a coisa mais importante da sua vida neste momento, o que você responderia? Sua família? Seu emprego? O sábio Sadhguru, líder espiritual contemporâneo, regularmente convidado para falar em conferências globais de prestígio como a Cúpula Mundial da Paz nas Nações Unidas, responde: a coisa mais importante é a própria vida! É o fato de estarmos vivos! É com a vida que tudo vem à existência. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes o óbvio tem que ser dito, não é? Foi assistindo ao canal dele no Youtube que eu vi pela primeira vez essa provocação da forma mais lúcida possível (veja aqui)!

Só estando vivo que você pode, então, seguir listando todas as coisas que são importantes para você.

Além de me ajudar a voltar a atenção para o que realmente mais importa, que é a vida, essa reflexão me fez lembrar do quanto ainda preciso evoluir muito em cuidar da minha saúde, que é o mínimo que qualquer um de nós precisa para estar livre de doenças, por exemplo.

Fiz um curso sobre produtividade e alta performance na escola Conquer que o professor trouxe a famosa Pirâmide de Maslow, que mostra a hierarquia das necessidades humanas em três eixos. E qual eixo está na base de tudo? Exatamente o da nossa necessidade fisiológica. Na sequência, indo em direção ao topo da pirâmide, vem os eixos psicoemocional e social. O professor encerra esse módulo deixando claro que viver em alta performance é ter esses três eixos equilibrados e que, para fazermos tudo o que a gente quer e necessita, precisamos otimizar a máquina humana para distribuir bem a nossa energia.

E, como a gente vai conseguir realizar todos os nossos sonhos, se a base da nossa pirâmide não está ok? Se estamos com a energia baixa, sem vigor físico, negligenciando a alimentação, sem cuidar da saúde? O livro “O Poder do Hábito”, best-seller escrito pelo Charles Duhigg, traz um dado surpreendente: 40% do que fazemos é em modo piloto automático. Ou seja, se os nossos hábitos não estiverem tão bons, imagina o quanto a gente deve estar fazendo mal a nos meses, e, aí, vai ser difícil conquistarmos o que a gente almeja. Mas a boa notícia é que a gente tem a capacidade de mudar hábitos. Graças a neuroplasticidade do nosso cérebro!

Mas, para que gente consiga desenvolver novos hábitos, é preciso ação. E o mesmo livro mostra que, para que uma ação se torne um hábito, a gente precisa, nessa ordem: se lembrar, se cobrar, se motivar e, por fim, se recompensar.

Então, bora tirar mesmo o projeto verão do papel, fazer todos aqueles check-ups que estão pendentes, cuidar da saúde e, ao final de cada objetivo atingido, comemorar!

A 3ª reflexão: retrospectiva e agradecimento

Recebi um e-mail que dizia que o aniversário é o nosso momento de réveillon conosco. rs E isso não está errado. O aniversário é quando o nosso novo ano começa, não é?

Então, por que não fazer uma retrospectiva? Por que não parar um momento para pensar sobre o que foi significativo para você não só no último ano como também na sua história de vida? Eu sei que muita gente prefere deixar no passado o que viveu no passado. Mas ninguém precisa mais sofrer pelo o que passou. Afinal, passou, não é mesmo? O máximo que a gente pode fazer é aprender com o que passou. E por que não agradecer por tudo o que você viveu, aprendeu e todos os sonhos que você já realizou?

Eu amei fazer a minha retrospectiva! De verdade! Eu me orgulhei da minha história, do que já conquistei, do que eu vivi, do que aprendi. E eu já passei por muita coisa nessa vida. Coisas muito felizes e outras bem tristes e difíceis. Mas eu me orgulhei da minha conduta e da minha força em todos os momentos.

Me lembrei dos amigos que eu fiz, tanto aqueles que já passaram pela minha vida e quanto aqueles que estão já há algum tempo pertinho de mim. Me lembrei de todas as minhas vitórias, das viagens que fiz aos lugares que eu super queria conhecer. Me lembrei de muitas manifestações de carinho e de reconhecimento que já recebi. Me lembrei de momentos felizes, difíceis e tristes na minha família. Me lembrei das bençãos que estão por vir, as quais a vida já me deu o prazer de saber. Vi o quanto eu sou querida e o quanto eu faço bem para as pessoas que estão à minha volta! E eu agradeci ao universo por tudo isso!

E sabe o que foi o mais legal? Eu realmente me orgulhei de mim mesma! E, na minha visão, esse foi um excelente exercício de valorização pessoal, de ver o quanto eu sou merecedora e de ver que eu mesma, sozinha, sou capaz de reconhecer minhas capacidades, meus dons e tudo o que eu ainda gostaria de aprender para ser uma versão ainda melhor para mim mesma e para os demais e, assim, continuar me orgulhando.

E você? Como seria a sua retrospectiva?

Eu desejo que ela te deixe tão orgulhosx de você mesmx quanto eu me orgulhei de mim. Desejo, principalmente, que você consiga fazer todo esse movimento de reflexão com saúde (sem Covid, pelo amor de Deus rs) e que você seja muito feliz em mais esses 365 novos dias!

A palavra que nos salvou em 2020, corporativamente falando

Complete a frase: “2020 foi um ano muito …”

Obviamente, várias palavras podem caber aí nessa frase. Mas, em um ano como o de 2020, que viu explodir uma das maiores pandemias do mundo, uma palavrinha específica foi muito utilizada no meio corporativo: a palavra “DESAFIADOR”, além de algumas de suas variações já muito conhecidas, como a palavra “desafio”.

E, não sei se é só no meu feed, mas, ultimamente, eu tenho visto essa palavra ainda mais presente nas postagens das minhas conexões no LinkedIn, por exemplo, principalmente naquelas postagens resumo do ano. Não é pra menos. O ano realmente foi muito desafiador rs.

E, cá entre nós, essa palavra nos salvou, nós redatores e profissionais da área de comunicação, quando, muitas vezes, sem saber como traduzir em palavras as decisões difíceis que precisaram ser tomadas pelas nossas organizações, as dificuldades e dores enfrentadas tanto no campo pessoal quanto no profissional, precisávamos ser imparciais ao comunicar, sem julgamentos.

A palavra “desafiador” nos ajudou a dizer sem dizer tanto, deixando mais na mão do leitor o “desafio” de dar o significado que mais se adequava ao contexto de cada um. E certamente foi uma escolha estratégica. Para uns, o ano pode ter sido muito difícil, árduo, mas, para outros, pode ter sido um ano estimulante, impulsionador.

Eu fui olhar a etimologia da palavra desafiador (pois é, sou dessas rs). E olha que interessante, quase que poético, eu diria: essa palavra é uma junção de desafio* + dor. E não foi isso o que mais fizemos neste ano? Desafiar a dor? Obviamente, que esse “dor” é só um sufixo, que, no caso, transforma um substantivo em um adjetivo. Mas eu gostei de ver a poesia nessa junção.

Pra mim, essa poesia traduz, com graciosidade, nossa força em encarar obstáculos. Nos textos que eu tenho lido, essa força vem sempre expressa pelo “mas” muito em empregado na frase “2020 foi um ano muito desafiador, mas…”

Que venha 2021!

* O site Origem da Palavra informa que a “desafio” vem do Latim DISFIDARE, “renunciar à própria fé”, de DIS-, indicando afastamento, mais FIDES, “fé, confiança”. Na Idade Média seu sentido variou para “provocar, desafiar”.

Mais uma informação para nossa reflexão.

Mensagem de ano novo

Oração para um Ano Novo

Sentada próxima à janela, eu olho para os céus e pra dentro de mim. Respiro fundo.

O vento sopra, parecendo me abraçar, e meu coração se enche de esperança pela chegada de um novo ano.

Sem que eu possa perceber, o pensamento chega, em forma de oração. E, com o mais puro dos sentimentos, eu começo a desejar o melhor pra mim, pra você, para o mundo inteiro, nesse novo capítulo da nossa história.

Quer se juntar a mim nesta oração?

Eu sei que há quem diga que o dia 31 de dezembro se transforma em 1º de janeiro como qualquer dia 31 de agosto se torna 1º de setembro, sem muito glamour, na maioria das vezes.

Mas a escolha é sempre nossa. Se a gente quiser, nós podemos deixar essa sensação de pessoas unidas em oração, de fé, essa certeza vestida de esperança, transbordar neste momento, nesta janela aberta, com esse vento leve e esse céu lindo a nos inspirar. Simplesmente porque a gente pode. É o que eu escolho pra mim agora. Minha escolha é torcer pelo melhor para todos nós, com toda a minha alma.

Por isso, eu desejo que neste novo ano a gente ache cura. Que a nossa sabedoria continue nos levando a achar saídas, tratamentos, para doenças e que traga cura também para o nosso ser, para o que pensamos, sentimos, falamos, fazemos. A gente PODE escolher. Então, que a gente faça boas escolhas, que sejamos mais responsáveis. Na dúvida, o melhor caminho é sempre aquele que se apresenta mais saudável pra gente e para as pessoas à nossa volta.

Eu desejo que neste novo ano a gente tenha mais confiança em nós mesmos e coragem. O medo, em algumas situações, pode nos proteger, mas, em muitas outras, nos mostra nossas limitações e pode nos paralisar diante de coisas que a gente jura que vê, mas que, na realidade, não existem.  São ameaças criadas por nós mesmos, na nossa cabeça. Então, confia! Tenha coragem! Liberte-se! Se estamos fazendo o nosso melhor, fazendo o bem, podemos confiar que o que é saudável pra gente sempre virá.

Eu desejo que a gente viva o amor. Respeite e ame o nosso próximo. Oferecendo amor a nossos pais, filhos, parceiros de vida, amigos e a pessoas completamente desconhecidas para nós, mas que são o amor de alguém. Desejo que nosso coração se encha do amor que a gente sonha em receber, que esse amor se torne realidade, e que, recebendo amor, a gente saiba também retribuir, com a mesma disposição e zelo.

Eu desejo que a gente continue sonhando muito, cheios de planos, e que a gente tenha muita garra para realizar todos eles. Aquela viagem, aquela casa, aquele emprego, aquela família, a própria empresa. Sonhos são combustíveis. São os objetivos que nos movem.

Eu desejo que neste novo ano a gente viva de verdades, sem enganos, que a gente abra muitos sorrisos verdadeiros e celebre muito a vida, estando sempre atentos àqueles momentos felizes que vão ficar guardados pra sempre na nossa memória. Por favor, não perca nenhum deles. O presente vira passado num piscar de olhos.

Que neste novo ano a gente tenha esperança, sem confundir esperança com espera. Esperança é possiblidade de realização. E, para haver realização, é preciso atitude! Então, que a gente faça deste novo ano o melhor das nossas vidas.

Que assim seja.

Como está a alma da sua empresa?

And so this is… era digital. Era de revoluções, de quebra de um zilhão de paradigmas.

Talvez, na sua percepção, já aqui neste texto, não haja nada de novo nessa minha primeira frase, se levarmos em consideração que nós, os humanos, somos seres criativos e que, portanto, estamos sempre (re)criando, como se estivéssemos vivendo um eterno ciclo de construir, desconstruir e transformar. Sempre foi assim. Foi assim no passado, em todas as outras revoluções. Então, não há novidade.

Mas o ponto é que, para muitos de nós, essa era parece estar colocando tudo – ABSOLUTAMENTE TUDO – em discussão e de uma forma muito rápida. E, talvez, a velocidade seja o aspecto principal, aquilo que diferencia tanto essa era das anteriores.

E, de fato, são zilhões de mudanças mesmo. Ao mesmo tempo. Tudo junto e misturado. São novas crenças, representações familiares, novos comportamentos, novas profissões, soluções tecnológicas (inclusive, a todo instante rs), novos modelos de negócio e por aí vai. E, assim, fica claro que as mudanças não estão acontecendo somente no ambiente tecnológico. Elas estão por toda a parte. Porém, de uma forma ou de outra, a tecnologia está sendo um catalisador de tudo isso. Como dizem, a tecnologia não pede passagem. Ela simplesmente passa.

E, diante de tanta mudança, essa era parece estar obrigando a humanidade a abrir espaço para toda forma de diversidade (mesmo que a gente ainda não saiba respeitar e valorizar tão bem toda essa pluralidade), uma vez que agora qualquer um pode ter acesso a informação a qualquer momento e de qualquer lugar e, principalmente, pode dar sua opinião sobre tudo o que quiser. São múltiplas vozes, inúmeros produtores de conteúdo, de conhecimento #PowerToTheEdges 🙂

E o “poder” nas mãos das “margens“, palavra que pode substituir aqui todo aquele que em algum momento nessa vida não se sentiu ouvido, tem mudado a forma de todos nós nos relacionarmos com tudo, amigos, família, governos, empresas, etc. Aquela falsa ideia de controle, que os padrões de outrora (rs) tentaram passar, caiu por terra (mesmo que ainda existam pessoas agarradas a essa ideia). Uma única postagem nas redes sociais, por exemplo, pode causar muito caos entre dois amigos ou, até mesmo, entre países (vou omitir exemplos só para não soar partidária rs). Ou seja, é quase um efeito borboleta.

Bom, e onde eu quero chegar com toda essa reflexão? Hoje eu quero chegar à visão empresarial de objetivo de negócio nessa era digital e de poder às margens. Isso. Meu post é sobre as marcas.

Sabe por que eu quero escrever sobre isso hoje? Porque uma série de provocações têm vindo à minha cabeça por esses dias sobre a cultura empresarial, considerando tudo o que tenho lido, observado e vivenciado nesse contexto, de empresas por todo o mundo.

Isso porque, se (e somente se) #IronicModeOn rs:

  • Tudo está mudando na velocidade da luz
  • A diversidade está metendo os dois pés nas portas
  • Colaboradores, clientes e a sociedade como um todo podem colocar a boca no trombone

Por que ainda há:

  • Uma ideia de que há controle nesse mundo digital sem fronteiras e de mar aberto?
  • Medo da disrupção?
  • Tantas relações tão egóicas, marcadas pela ausência de confiança, de verdade, de inteligência emocional?

Não é à toa que há uma “onda”, cada vez maior e mais forte nesse mundo, de expansão de consciência, que, considerando as implicações desse movimento no contexto corporativo, começa a falar sobre liderança e autoconhecimento (para estabelecermos relações mais saudáveis com os outros), sobre propósito (ao invés de visão apenas business-centric, de foco míope em objetivos e metas de negócio), de um capitalismo mais consciente (pautado num princípio de geração de valor compartilhado, numa relação de ganha-ganha entre empresas, clientes e demais envolvidos na cadeia de valor), de clientecentrismo (é a necessidade do cliente que vai pautar os objetivos de negócio e não o contrário), de novos métodos de trabalho (como os métodos ágeis, para garantir entregas contínuas e efetivas). Não é à toa tudo isso, ainda que, nesse cenário de transformação, a gente não saiba dizer com clareza o que é novo e o que é novidade. O que veio pra ficar ou o que é modinha.

O mais importante é olhar mais de cima e ver que há algo em comum em tudo isso: a natureza humana falando mais alto. E, pra mim, o nome dessa característica inata é cooperação, colaboração.

Hoje as pessoas são a alma de qualquer negócio. E uma empresa será consciente do seu impacto social e econômico na mesma medida em que forem seus controladores, líderes, colaboradores.

As empresas que não ouvirem esse chamado da sua alma (isso mesmo, alma, pois, por mais que em alguns casos muita gente se esqueça, empresas são formadas nada mais nada menos do que por pessoas) serão descontinuadas ao invés de desconstruídas e transformadas, como aconteceu no passado.

Seguirei com minha reflexão.

Aprendendo a criar pôneis

Veja se você é como eu (rs).

Eu: nas últimas semanas tenho lidado com um sentimento forte de frustração. E, pra variar, um sentimento de culpa também, porque na mesma hora em que eu percebo a frustração a culpa vem gritando: “COMO VOCÊ PODE ESTAR SE SENTINDO ASSIM SE VOCÊ TEM SAÚDE, SE ESTÁ CERCADA DE PESSOAS MARAVILHOOOSAS, SE TEM UMA VIDA REPLETA DE REALIZAÇÕES? COMO?”. (rs) Pois é, gente, eu sei. Mas fazer o quê se essa sensação de frustração deu uma leve “estacionada” (rs). Na terapia a gente aprende a acolher todos os nossos sentimentos – mesmo aqueles que nos soam “ruins”, não é mesmo? E é isso que estou tentando fazer. Acolher, me observar e me ouvir para me entender e, então, aprender e evoluir.

Mas por que essa frustração? Porque, de novo, ao invés de criar pôneis, eu andei criando expectativas (🤦🏻‍♀️ rs). Porque, novamente, eu “me esqueci” que as coisas não são como eu crio na minha cabecinha e sim como elas simplesmente são, no tempo que precisam ter. Na vida pessoal e profissional. E aí as expectativas na minha cabeça dão lugar novamente a uma série de ensinamentos que já absorvi mas que adormeceram na minha mente. Ensinamentos vindos de pessoas muito sábias que já habitaram esse mundo ou que ainda habitam ou que, pelo amor do universo, cruzaram o nosso caminho. Eu vou repassar por alguns desses ensinamentos agora (abaixo) e convido você a repassar por esses e pelos ensinamentos que você guarda também 🙂

Tudo muda

Tudo tem seu tempo

“Tudo tem o seu tempo determinado”. (Livro de Eclesiastes da Bíblia)

Confiar é se libertar

“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?” (Livro de Mateus da Bíblia)

Conhecer a si mesmo é a base de tudo

Não tire conclusões

Um dos quatro compromissos dos Toltecas, “Não tire conclusões” é o terceiro compromisso. Veja uma breve descrição sobre esse compromisso publicada no site _dharmalog.com: “Nós temos a tendência para tirar conclusões sobre tudo. Presumir. O problema com as conclusões é que acreditamos que elas são verdadeiras. Poderíamos jurar que são reais. Tiramos conclusões sobre o que os outros estão fazendo e pensando – levamos para o lado pessoal-, então os culpamos e reagimos enviando veneno emocional com nossa palavra. Por isso sempre que fazemos presunções estamos pedindo problemas. Tiramos uma conclusão, entendemos errado, levamos isso para o lado pessoal e acabamos criando um grande drama do nada. Toda tristeza e drama que você passou em sua vida foram causados por tirar conclusões e levar as coisas para o lado pessoal. Pare um instante para examinar essa afirmativa. Toda a teia de controle entre seres humanos é sobre tirar conclusões e levar as coisas para o lado pessoal”.

Dê importância ao que realmente importa

Fique em paz 🙂

Namastê.